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Poemilhas: As Praias

Pedro Bertolino

Quarenta e duas praias
para a gente se banhar.

Rendas e samambaias
para as vistas alegrar.

Mulheres tirando as saias
para o seu corpo queimar.

Jurerê Canasvieiras
brisas pra refrescar.

Galheta Praia Mole
Joaquina para surfar.

Campeche Armação
Lagoa para sonhar.

Praia da solidão
Você se desnudar.
Fpolis., novembro 2008.

Poemilhas: Ingleses do Rio, Vermelho

Pedro Bertolino

Na Praia dos Ingleses
Ingleses do Rio Vermelho

a água é verde verde
e limpa como espelho

na Praia dos Ingleses
Ingleses do Rio Vermelho

Baré botou a rede
Leca lançou também

e a gente fica esperando
pra ver que peixe vem.

Na praia dos Ingleses
Ingleses do Rio Vermelho

vento soprou forte
e pescador sem sorte
não teve quinhão nem nada.

Na Praia do Ingleses
Ingleses do Rio Vermelho
do Rio Vermelho.
Fpolis., novembro 2008.

Poemilhas: As areias da Lagoa

Pedro Bertolino

Rendeira deixa a renda
para menino ninar.
Pescadores de canoa
vão saindo para o mar.
E as areias da Lagoa
dizem coisas ao luar.


No sorriso da morena
um convite para amar.
Uma noite sem juízo
nos seus olhos a brilhar.
E as areias da Lagoa
são poemas ao luar.


Uma flor de açucena
pra a cena enfeitar.
Pele morena quente
pedindo para amar.
E as areias da Lagoa
fazem berços ao luar.


Fpolis., novembro 2008.

Poemilhas

Pedro Bertolino
O Morro da Cruz

não tinha luz
nem televisão

era apenas
Morro do Antão.

A ponte Hercílio Luz

tinha trilhos de pranchão
e um guarda sempre de plantão.

Lá embaixo

navios no porto
a Ilha do Carvão
menino absorto.

Havia uma Rita
que fazia marmita
e era depois Maria.

O povo da Arataca
comia semana inteira
e não sabia

que a sua marmiteira
um dia seria
Rita Maria.

Depois, vinha

o cais do Frederico
as lanchas
do Paulo Lopes

nosso mercado público.

O ônibus

parava na Alfândega
e não se chamava terminal
era apenas ponto final.

O Bar São Pedro

vendia pinga
para matar o bicho.

A chuva

molhava a gente
nas noites de carnaval.

O Job sabia de tudo

freqüentava o senadinho
e sacaneava aquele mudo
do café do Seu Foguinho.

O Adolfo
era dono dos autmóveis

e tinha selos
do ICM sem S

a provar propriedade
para quem quer que o quisesse.

A Dona Traça

se pintava
na Figueira da Praça
todas as manhãs.

As lavadeiras de Sambaqui:

pareciam margaridas
deixando as ruas floridas
com seu ti-ti-ti.

Desciam na Catedral

de um ônibus
quase sem bancos
e levavam na cabeça

aqueles seus sacos brancos.

Com as duas mãos soltas
cumpriam desenvoltas
seu rito matinal.

Eram marias

Marias de carnaval
levando na patroa
as roupas do varal.

O Morro da Cruz

não tinha luz
nem televisão.

Era apenas
Morro do Antão.
Fpolis., dezembro 2008.
(Versão completa publicada de Florianópolis)

Poemilhas: Amanhecer

Pedro Bertolino

As aracuãs
do Caridade
acordam as irmãs.

O autorama
de ontem à noite
agora se insinua
sem luzes
e sem lua
com os carros
retomando a rua.

O sol
avança regressivo
do continente
dourando a ilha
pomposamente.

A cidade
amanhece menina
e a baía sul
se faz piscina
em cor de céu azul.



(Poema inédito do livro em preparo "Poemilhas", em Florianópolis, 20-01-2009.)